
Quando espreitei à janela e vi o teu carro estacionado em frente ao jardim, eu já sabia. Quando saí e colocaste os braços à minha volta, quando me envolvi em ti.. Quando deixei que ouvisses a música demasiado alta, que segurasses a minha mão enquanto conduzias, que me levasses a almoçar num lugar recôndito e calmo, eu ainda sabia. Mesmo na altura em que me deixei levar, em que me permiti desfrutar do momento e da tua presença, eu continuava a saber. E apesar do aperto, do sufoco que me causava.. Não chorei. Não impedi. Não questionei e sorri. Sorri pelos bons momentos, pelos sentimentos, pelas gargalhadas e palavras. Sorri por aquele dia e por ti. Por todos os outros que já tinham passado e por nós. Sorri mesmo quando tudo em mim se retraía. Quando tudo em mim queria fazer o tempo parar. Quando suportava o fato de não te poder pedir para ficar. Quando o sol se começou a colocar atrás dos montes e me deixaste de novo à porta de casa com um silêncio estridente a ressoar em toda a nossa volta, eu soube o que saberia sempre.. que quando aquele dia terminasse e não regressasse, a noite faria a sua entrada de olhos húmidos.. durante muito tempo.. pelo dia de amanhã e por tudo o aquilo que nunca chegaria a vir..
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